quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Tic-tac, tic-tac, passam horas minutos e segundos. Tic-tac, tic-tac enquanto a farinha engana estômagos. Tic-tac, tic-tac e caem como pássaros mortos pelo capitalismo. Tic-tac, tic-tac e andam brancos pelas ruas como se da Europa se tratasse.
Tic-tac, tic-tac, passam segundos, minutos e horas. Tic-tac, tic-tac e há sida e malária, e há cólera e tuberculose. Tic-tac, tic-tac, e há carros e comida e, há escravos a quem se chamam empregados.

Obrigada amigos pelos relógios que me fazem contar o tempo de outra forma.

E porque estes rabiscos, acompanhados de más fotografias para ilustrar, só existem quando piso chão vermelho…..cá estou eu a errar e inventar para passar o tempo.
Voltei a Maputo com lágrimas e sorrisos.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Saudade:
Não seria vulgar se não escrevesse sobre a saudade. Ou, simplesmente não teria sobre o que escrever.
Saudade de ti e dele, saudade dela e daquilo…saudade deles e disto…saudade.

Saudade de doces com café amargo e de ti com sabor a noite. Saudade vinho tinto com alegoria e de chuva com frio. Saudade do castanho com castanhas e da lareira contigo.
Saudade de brancos estranhos e negros amigos. Saudade da mentira com sorriso e domingo com cobertor.
Saudade de dar corda ao relógio e chegar atrasada. Saudade de vermelho sem cor.

Saudade de ter saudade de qualquer coisa.
Há dias assim, em que se escreve sobre nada para dizer nada, acreditando que alguém entenderá.

Bazaruto 28 de Novembro de um ano qualquer…














quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Este seria mais um post descritivo de um dia rotineiro na ilha se Ela não tivesse aparecido.
Uma manhã normal entre papeis e sorrisos hipócritas interrompida por um grito mudo – Baleia presa na areia!! Vens ou ficas??
- Deixa-me pegar na máquina!!
Meia hora até ao local…E lá estava ela presa na areia e nervosa. Baldes de água já a socorriam para que não ficasse com mazelas do sol…toalha branca para refrescar e rezas, muitas rezas aos santinhos e mãe natureza para que salvassem aqueles quase 18 metros de bicho.
Passaram-se minutos, muitos minutos, a maré encheu, e num movimento aflito e brusco ela lá se libertou das águas pouco profundas e nadou em direcção ao oceano.







domingo, 23 de setembro de 2007

Momentos especiais em Bazaruto...


sexta-feira, 7 de setembro de 2007

A mudança tens destas coisas…um dia acordamos numa ilha de janelas viradas ao Índico com palmeiras que fingem fazer alguma sombra mas na realidade são o sustento das vivendas dos “amarelinhos”.

O ruído dos carros é substituído pelo piar dos pássaros ou, na pior das hipóteses, pelo gerador que se esforça em iluminar os forasteiros que cá param. São célebres desconhecidos com poder de troca que se aventuram pela Grande África instalando-se em resorts à beira mar. Escondida fica a pobreza e doença mas também todo um mundo de histórias fantásticas de homens e mulheres que acreditam no poder da natureza e vivem em comunhão com a “mãe”, sem grandes pretensões.

Mas a história da ilha não é esta…
O acordar começa cedo, muito cedo, dir-se-ia mesmo de madrugada. Há a planear todo um dia de actividades de quem trocou o ouro de papel por umas férias exóticas na ilha moçambicana. Preparar os colares de flores para quem chega e ensaiar sorrisos brancos em peles negras.
Olá, welcome, ….e já está na hora do almoço.
Uma pausa…para café? Não. Para vestir o fato e ver peixes de todas as cores. Com alguma sorte lá aparece um tubarão zambezi, provavelmente irmão de um daqueles que participou em filmes de Hollywood onde fingiam comer criancinhas ou arrancar braços de loiros musculados. Garantidos estão sempre os jardins de corais e peixes em tons de arco-íris.

Bazaruto é um pedaço de areia que faz o deleite de muitos, um pequeno paraíso…quase um Éden. Vá se lá saber porque é que a Eva comeu a maçã se era tudo tão perfeito.


 

 

 

 
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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Ao dia 23 de Agosto de 2007, surge a necessidade de escrever qualquer coisa novamente.
O quê ao certo não sei. Pensei escrever sobre bela Inhaca: um pedaço de terra ao largo da baía de Maputo, com um encanto próprio não reconhecido por mim até então, onde as mulheres comentam os corpos de viola, quem sabe, em tom de cobiça ou escárnio. Escrever sobre os babuínos das montanhas de Mariepsokp, na África do Sul. Escrever sobre aquele sentimento português que acompanha os transeuntes. Escrever sobre qualquer coisa…. Mas escrever.

Não consigo escrever…simplesmente não consigo.
Ficam registos fotográficos para que saibam que estou bem e feliz.

Inhaca a três