quinta-feira, 28 de junho de 2007

Algures na ilha...

- Hooo Voam mesmo?
- «Yes, it’s the real truth!» Esta foi a confirmação confirmada do senhor Zimbabueano – cujo nome não me acuerdo -, que sentado naquela grande mesa redonda – onde a comida é servida pelas mãos da Benvinda, que se move pelas areias trazidas por ventos moçambicanos, e que vão ficando entre a cozinha improvisada e a sala de refeições há vários anos - do romantizado lodge me garantiu, jurou mesmo, que gente com muito poder espiritual consegue voar, transportar-se sobre fronteiras nacionais para poder morrer em paz no local idealizado – o Lightning Power.

Entrei no pequeno, ou melhor, minúsculo avião de regresso a casa. Para trás fica a ilha das águas claras, onde as pessoas não pedem esmolas e as sextas-feiras são sagradas para quem quer comprar uma noite de sexo barato – nota: barato ao bolso de qualquer albino – na Xabinde. Podem mesmo comprar a crédito, se os meticais não abundarem no bolso, mas com a garantia de que se não pagarem no final de mês as jovens de cheiro a mar e peixe fresco, transformadas em musas à sexta-feira, vão cobrar nem que seja ao patrão do cliente (na sua maioria homens locais, que trabalham na pesca ou no oligopólio turístico).
A vontade insaciada de vinho de palma, levou-me à Xabinde mais do que uma vez, proporcionando momentos inesquecíveis a qualquer menina do shopping, que toma banho todos os dias com gel de banho vindo de outro continente e se perfuma com um qualquer líquido imortalizado pelas massas. Na palhota, as pessoas cheiram ao que cheiram, vestem o que alguém já pôs fora e comem o que o mar traz até à sua porta. Ouvem e dançam ao sabor das línguas conhecidas e esboçam sorrisos com cheiro a pão quente, cozido na fogueira que aquece a noite que começa às 17h30. Pessoas que gostam de se ver nos pequenos retratos que o visor da máquina fotográfica mostra e perpetua. Não sei dizer se são menos felizes do que eu, que deliro por uma lojinha nova, para gastar meticais. Esta doença do consumo, para a qual não há vacina e atirou famílias do vulgar piquenique no campo para o passeio de domingo à tarde no Shopping da cidade.

Na ilha a manhã começa cedo. Não. A manhã começa de madrugada, quando eu ainda durmo. Correm todos. Não. Andam todos com um passo mais rápido que o normal, para ultimar os preparativos da abertura das cabanas para ricos.
O pequeno-almoço é continental, mas só para alguns. A moto 4 está pronta para me levar a sentir as vibrações do pedaço de terra que faz o deleite de muitos.

Eu agarro-me de quando em vez àquelas costas que, pouco ou nada percebem do meu dialecto, para não cair estúpida de entusiasmo na areia. As praias estão desertas – os albinos ainda não chegaram – ficam apenas os gritos das aves, o sopro dos ventos e as vibrações do meu regozijo.

O avião não parte na hora prevista, ou não fosse ele um moçambicano filho da colonização portuguesa, fico-me pela cadeira da sala de espera a pensar...

Algures na ilha

terça-feira, 26 de junho de 2007

George Clooney??Não ! Zézi!

 


Com presentes destes em casa quem aceitaria um bilhete de ida para o jardim do Éden???
- Hoo Adão tu desculpa-me mas eu fico-me pelo Zézi!!!
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sexta-feira, 15 de junho de 2007

Objectivo cumprido...

«Leonor não sejas louca, é perigoso, não vás, não te metas em aventuras que podem correr mal”. “Esse transporte é para “Eles”!!». « Se correr mal não telefones.» «És mesmo imprudente (…)”.» Alguns dos comentários dos meus queridos e aventureiros – aventura só de 4X4 – amigos.

Sábado 7h15, hora de fechar a porta de casa para encontrar o meu companheiro da aventura. Quando o encontro já ele pensa, talvez há uns 10 minutos, em como os portugueses são pouco pontuais. “Vamos??... Táxi é para a estação de comboios de Maputo.”

Uma fila organizada de gente à espera do seu bilhete para entrar no comboio que os leva até casa, ou pelo menos até perto de casa.

Sentadinhos num belo lugar à janela (não me lembro do número do lugar). O comboio arranca uns minutinhos atrasado, mas ruma a todo o vapor (uns 30 km/h) para Ressano Garcia.
Os passageiros olham para nós pensando o que farão dois albinos no comboio…

“Rafael tenho fome!” resposta:“Ok Leonor”. O comboio pára e o meu querido amigo providencia (pedindo pela janela em troca de 10 meticais: “Garçon trás um pão para a senhora”)um maravilhoso pão – a fome tem destas coisas, torna um pão em caviar – acompanhado por um género alimentar, do qual desconheço o nome.

Depois do estômago saciado, o baralho de cartas vem mesmo a calhar. Cartas para dois? Não, para quatro. Os nossos companheiros de sofá ou melhor banco de madeira ofereceram-se logo em tom de ordem para participar no jogo. E assim passou uma hora em que, nem Leonor nem Rafael entendiam as regras do jogo.

Ressano Garcia, uma vila sem alcatrão, altifalantes chamando à oração, lojinhas, casinhas… o normal. Procurámos os assaltantes perigosos que matam e violam criancinhas como eu…mas não os encontrámos. Provavelmente estariam de folga, ou ter-se-iam mudado para Lisboa. Sim porque de tanto esperar por albinos a sair do comboio…internacionalizarem-se foi a melhor opção.
A história continua, mas…o importante fica dito. Maputo tem comboio. Perigoso? Tenho mais medo da linha de Sintra depois das 7 da tarde.
Ao meu amigo Rafinha fica um Obrigado pela companhia.