quinta-feira, 29 de março de 2007

Da minha janela:

O sol nasce sempre cedo, levanta-se e deita-se primeiro do que qualquer pé descalço. Ilumina as ruas sujas, reflectindo-se, de quando em vez, nos estilhaços de vidro (provocados pelas explosões no Paiol) que permanecem e permanecerão nos passeios esburacados. As bancas de fruta começam a surgir e o movimento acorda os poucos que ainda dormem... Casas herdadas da colonização, enfeitam a imagem de cidade ditada ao abandono. Os prédios, na sua maioria antigos traçam um cenário dantesco. Num contraste forte com o cimento surgem as acácias carregadas de pequenas flores vermelhas, pintando a cidade com um tom vermelho e verde alegre.

Os dentes brancos agitam-se pela cidade em envergonhados sorrisos, como quem pede 5 meticais para o Chapa. As capulanas, balançadas pelo vento, prendem a atenção dos recém chegados à antiga Lourenço Marques....

(...)Fecho a janela, visto uma roupa importada e vou trabalhar.
30 Março 07

terça-feira, 27 de março de 2007



Longe do mundo que conheço, rumei ao sítio dos pés descalços, lugar marcado pelos cheiros e cores intensos. Perpetuar este momento foi o meu desejo mais profundo....Ainda perguntei:quanto custa (em meticais) parar o tempo?? (...)Mas a noite não parou, o dia nasceu e o sonho terminou...
Chidenguele , 25 de Março 07

sexta-feira, 23 de março de 2007

Será verdade????

«Quando turistas endinheirados visitam países em desenvolvimento, a interacção entre eles e a sociedade receptora é raramente feita em termos de igualdade. Desde os primeiros tempos da colonização que se espalharam estereótipos no Ocidente que ainda aparecem explícitos na literatura promocional do turismo. O colonialismo também levou a que muitos povos colonizados pensassem que todos os visitantes brancos eram ricos, uma visão que surge reforçada pelo crescimento do turismo internacional. Tais estereótipos contribuem para a comodificação de muitos aspectos das relações humanas. (…)»
Em Maputo isto não acontece: os "colonos" fugiram todos com medo das bombas :) ….

quinta-feira, 8 de março de 2007

Ele disse:
« A liberdade não passa de um fantasma inútil quando uma classe de homens pode, impunemente, reduzir os outros à fome. A igualdade não passa de um fantasma inútil quando o rico, pelo seu monopólio, exerce o direito de vida e de morte sobre o seu semelhante. (...) Para que serve a um analfabeto a proclamação da liberdade de imprensa? Um esfomeado nada pode fazer com o direito de voto (...)» de Jacques Roux, 1793

Não consigo comentar a interessante frase que encontrei num livro que li por estes dias. Acalma-me a alma saber que nada disto é actual e que as novelas estão aí para nos alegrar os dias rotineiros.