quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Ao dia 23 de Agosto de 2007, surge a necessidade de escrever qualquer coisa novamente.
O quê ao certo não sei. Pensei escrever sobre bela Inhaca: um pedaço de terra ao largo da baía de Maputo, com um encanto próprio não reconhecido por mim até então, onde as mulheres comentam os corpos de viola, quem sabe, em tom de cobiça ou escárnio. Escrever sobre os babuínos das montanhas de Mariepsokp, na África do Sul. Escrever sobre aquele sentimento português que acompanha os transeuntes. Escrever sobre qualquer coisa…. Mas escrever.

Não consigo escrever…simplesmente não consigo.
Ficam registos fotográficos para que saibam que estou bem e feliz.

Inhaca a três

quinta-feira, 19 de julho de 2007

O sentimento do exótico começa a desvanecer-se dando lugar a um sentimento de culpa envergonhada. Um sentimento lúcido, de quem assume conivência involuntária.
As esmolas não resolvem, as palavras não fazem eco, a corrupção é mulher fértil, a férula corre pelas ruas apanhando os inocentes.
Homo homini lupus!

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Domingo, Jardim Zoológico de Maputo... um jardim ditado ao abandono.
Impossível tecer algum comentário pejorativo acerca deste espaço – que deveria ter objectivos didácticos.
Num outro contexto, justificar-se-ia uma dura crítica às condições em que estes animais permanecem mas, num país onde se luta por direitos básicos de sobrevivência do homem...mais vale esquecer o macaco que pede comida, o leão que tenta, sem sucesso, o suicídio ou, o hipopótamo, com graves problemas dentários, que não consegue morrer por afogamento.

 

 

 
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quarta-feira, 4 de julho de 2007

anónimos peculiares...

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Algures na ilha...

- Hooo Voam mesmo?
- «Yes, it’s the real truth!» Esta foi a confirmação confirmada do senhor Zimbabueano – cujo nome não me acuerdo -, que sentado naquela grande mesa redonda – onde a comida é servida pelas mãos da Benvinda, que se move pelas areias trazidas por ventos moçambicanos, e que vão ficando entre a cozinha improvisada e a sala de refeições há vários anos - do romantizado lodge me garantiu, jurou mesmo, que gente com muito poder espiritual consegue voar, transportar-se sobre fronteiras nacionais para poder morrer em paz no local idealizado – o Lightning Power.

Entrei no pequeno, ou melhor, minúsculo avião de regresso a casa. Para trás fica a ilha das águas claras, onde as pessoas não pedem esmolas e as sextas-feiras são sagradas para quem quer comprar uma noite de sexo barato – nota: barato ao bolso de qualquer albino – na Xabinde. Podem mesmo comprar a crédito, se os meticais não abundarem no bolso, mas com a garantia de que se não pagarem no final de mês as jovens de cheiro a mar e peixe fresco, transformadas em musas à sexta-feira, vão cobrar nem que seja ao patrão do cliente (na sua maioria homens locais, que trabalham na pesca ou no oligopólio turístico).
A vontade insaciada de vinho de palma, levou-me à Xabinde mais do que uma vez, proporcionando momentos inesquecíveis a qualquer menina do shopping, que toma banho todos os dias com gel de banho vindo de outro continente e se perfuma com um qualquer líquido imortalizado pelas massas. Na palhota, as pessoas cheiram ao que cheiram, vestem o que alguém já pôs fora e comem o que o mar traz até à sua porta. Ouvem e dançam ao sabor das línguas conhecidas e esboçam sorrisos com cheiro a pão quente, cozido na fogueira que aquece a noite que começa às 17h30. Pessoas que gostam de se ver nos pequenos retratos que o visor da máquina fotográfica mostra e perpetua. Não sei dizer se são menos felizes do que eu, que deliro por uma lojinha nova, para gastar meticais. Esta doença do consumo, para a qual não há vacina e atirou famílias do vulgar piquenique no campo para o passeio de domingo à tarde no Shopping da cidade.

Na ilha a manhã começa cedo. Não. A manhã começa de madrugada, quando eu ainda durmo. Correm todos. Não. Andam todos com um passo mais rápido que o normal, para ultimar os preparativos da abertura das cabanas para ricos.
O pequeno-almoço é continental, mas só para alguns. A moto 4 está pronta para me levar a sentir as vibrações do pedaço de terra que faz o deleite de muitos.

Eu agarro-me de quando em vez àquelas costas que, pouco ou nada percebem do meu dialecto, para não cair estúpida de entusiasmo na areia. As praias estão desertas – os albinos ainda não chegaram – ficam apenas os gritos das aves, o sopro dos ventos e as vibrações do meu regozijo.

O avião não parte na hora prevista, ou não fosse ele um moçambicano filho da colonização portuguesa, fico-me pela cadeira da sala de espera a pensar...

Algures na ilha

terça-feira, 26 de junho de 2007

George Clooney??Não ! Zézi!

 


Com presentes destes em casa quem aceitaria um bilhete de ida para o jardim do Éden???
- Hoo Adão tu desculpa-me mas eu fico-me pelo Zézi!!!
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sexta-feira, 15 de junho de 2007

Objectivo cumprido...

«Leonor não sejas louca, é perigoso, não vás, não te metas em aventuras que podem correr mal”. “Esse transporte é para “Eles”!!». « Se correr mal não telefones.» «És mesmo imprudente (…)”.» Alguns dos comentários dos meus queridos e aventureiros – aventura só de 4X4 – amigos.

Sábado 7h15, hora de fechar a porta de casa para encontrar o meu companheiro da aventura. Quando o encontro já ele pensa, talvez há uns 10 minutos, em como os portugueses são pouco pontuais. “Vamos??... Táxi é para a estação de comboios de Maputo.”

Uma fila organizada de gente à espera do seu bilhete para entrar no comboio que os leva até casa, ou pelo menos até perto de casa.

Sentadinhos num belo lugar à janela (não me lembro do número do lugar). O comboio arranca uns minutinhos atrasado, mas ruma a todo o vapor (uns 30 km/h) para Ressano Garcia.
Os passageiros olham para nós pensando o que farão dois albinos no comboio…

“Rafael tenho fome!” resposta:“Ok Leonor”. O comboio pára e o meu querido amigo providencia (pedindo pela janela em troca de 10 meticais: “Garçon trás um pão para a senhora”)um maravilhoso pão – a fome tem destas coisas, torna um pão em caviar – acompanhado por um género alimentar, do qual desconheço o nome.

Depois do estômago saciado, o baralho de cartas vem mesmo a calhar. Cartas para dois? Não, para quatro. Os nossos companheiros de sofá ou melhor banco de madeira ofereceram-se logo em tom de ordem para participar no jogo. E assim passou uma hora em que, nem Leonor nem Rafael entendiam as regras do jogo.

Ressano Garcia, uma vila sem alcatrão, altifalantes chamando à oração, lojinhas, casinhas… o normal. Procurámos os assaltantes perigosos que matam e violam criancinhas como eu…mas não os encontrámos. Provavelmente estariam de folga, ou ter-se-iam mudado para Lisboa. Sim porque de tanto esperar por albinos a sair do comboio…internacionalizarem-se foi a melhor opção.
A história continua, mas…o importante fica dito. Maputo tem comboio. Perigoso? Tenho mais medo da linha de Sintra depois das 7 da tarde.
Ao meu amigo Rafinha fica um Obrigado pela companhia.