terça-feira, 22 de abril de 2008

Num olhar para o que fica…





Para trás ficam fragmentos de sorriso, gentes e momentos. Para trás ficam histórinhas de um quotidiano anormal para o comum dos errantes. Ficam desejos dourados e concretizações poucas. Ficam copos que se erguem em celebração da felicidade fugaz e fica o sangue das vinhas que estimula os corpos.
Ficam beijos dados e roubados na penumbra. Fica a exaltação do belo.
Fica a mesa incompleta e a família adoptiva.

Mas para trás não ficam as recordações de tantos grãos de areia que fizeram areais nem de ventos que fizeram tempestades.
Enquanto a lembrança suportar carrego-vos comigo.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Recortes de momentos.
Momentos de todos nós que aqui estamos, uns por escassas voltas do ponteiro, outras para o "sempre" que dura pouco.
Partilhamos todos o mesmo pedaço de chão mas nem todos com o mesmo regozijo.


momentos

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Sorrisos de sábado à tarde em Chizavane ...entre a catanada na rocha para o molusco se soltar e a pausa para encher o saco há sempre uns minutos para pousar para a objectiva indiscreta.




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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Tic-tac, tic-tac, passam horas minutos e segundos. Tic-tac, tic-tac enquanto a farinha engana estômagos. Tic-tac, tic-tac e caem como pássaros mortos pelo capitalismo. Tic-tac, tic-tac e andam brancos pelas ruas como se da Europa se tratasse.
Tic-tac, tic-tac, passam segundos, minutos e horas. Tic-tac, tic-tac e há sida e malária, e há cólera e tuberculose. Tic-tac, tic-tac, e há carros e comida e, há escravos a quem se chamam empregados.

Obrigada amigos pelos relógios que me fazem contar o tempo de outra forma.

E porque estes rabiscos, acompanhados de más fotografias para ilustrar, só existem quando piso chão vermelho…..cá estou eu a errar e inventar para passar o tempo.
Voltei a Maputo com lágrimas e sorrisos.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Saudade:
Não seria vulgar se não escrevesse sobre a saudade. Ou, simplesmente não teria sobre o que escrever.
Saudade de ti e dele, saudade dela e daquilo…saudade deles e disto…saudade.

Saudade de doces com café amargo e de ti com sabor a noite. Saudade vinho tinto com alegoria e de chuva com frio. Saudade do castanho com castanhas e da lareira contigo.
Saudade de brancos estranhos e negros amigos. Saudade da mentira com sorriso e domingo com cobertor.
Saudade de dar corda ao relógio e chegar atrasada. Saudade de vermelho sem cor.

Saudade de ter saudade de qualquer coisa.
Há dias assim, em que se escreve sobre nada para dizer nada, acreditando que alguém entenderá.

Bazaruto 28 de Novembro de um ano qualquer…














quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Este seria mais um post descritivo de um dia rotineiro na ilha se Ela não tivesse aparecido.
Uma manhã normal entre papeis e sorrisos hipócritas interrompida por um grito mudo – Baleia presa na areia!! Vens ou ficas??
- Deixa-me pegar na máquina!!
Meia hora até ao local…E lá estava ela presa na areia e nervosa. Baldes de água já a socorriam para que não ficasse com mazelas do sol…toalha branca para refrescar e rezas, muitas rezas aos santinhos e mãe natureza para que salvassem aqueles quase 18 metros de bicho.
Passaram-se minutos, muitos minutos, a maré encheu, e num movimento aflito e brusco ela lá se libertou das águas pouco profundas e nadou em direcção ao oceano.