terça-feira, 22 de abril de 2008

Num olhar para o que fica…





Para trás ficam fragmentos de sorriso, gentes e momentos. Para trás ficam histórinhas de um quotidiano anormal para o comum dos errantes. Ficam desejos dourados e concretizações poucas. Ficam copos que se erguem em celebração da felicidade fugaz e fica o sangue das vinhas que estimula os corpos.
Ficam beijos dados e roubados na penumbra. Fica a exaltação do belo.
Fica a mesa incompleta e a família adoptiva.

Mas para trás não ficam as recordações de tantos grãos de areia que fizeram areais nem de ventos que fizeram tempestades.
Enquanto a lembrança suportar carrego-vos comigo.

1 comentário:

Unknown disse...

Sinto-me "crescido" e nem sempre é boa essa sensação...

Diria que muitos são os "olhares" que carrego na lembrança e que me fazem ser "eu", sem falsas modéstias mas também sem falsas prentensões, simplesmente "eu" com tudo de bom e de menos bom que esta palavra possa guardar em si mesma.

Se há dias de exaltação de momentos, de celebração de alegrias e outros sentimentos; hoje é antes dia de introspecção, de dúvida e de hesitação. A força que em mim abunda quando contabilizo as conversas profundas, os momentos de partilha, os gestos de amizade, as mensagens de carinho e tantas palavras sinceras e autênticas livres de "armadilhas" e "maquilhagem" é proporcional ao vazio de sentido de momentos como este em que questiono o sentido da justiça, em que ponho em causa a origem dos momentos maus, das tristezas e de tanto desânimo.

Um sorriso maioritariamente presente não é um sorriso permanentemente presente. E são mesmo maus os momentos em que ele falha... Já não sei se quero ser "crescido"!

Se sempre tive a sensação que "atrás de uma montanha vem logo outra", começo a ter receio de colocar a hipótese de atrás da primeira montanha haver pouco mais que "nada"! E isso preocupa-me...