segunda-feira, 9 de junho de 2008

Reflexo Solitário

terça-feira, 20 de maio de 2008

Ecos Mudos……

De dedo em riste – é qualidade portuguesa desde os primórdios – evangelizar, colonizar educar, – sempre no bom sentido.
Rectângulo patriarcal e conservador que exporta preconceitos e falsos moralismos através dos seus melhores mensageiros da palavra – “os esclarecidos”.

“ Os esclarecidos” chegam a Bazaruto olham à sua volta e gostam de tudo, até das crianças com fome – exploração do exótico. Com malas carregadas de soluções levantam o dedo e enumeram as medidas necessárias à melhoria da vida daquelas gentes.

Primeiro: « vocês têm de ajudar este povo»
Segundo: « vocês têm de os ensinar a não abandonar o lixo em qualquer lado»
Terceiro: « vocês têm de providenciar médicos para a comunidade»
Quarto: « vocês têm de os educar para a monogamia»
Quinto: « vocês têm de lhes dar de comer»
Sexto: «vocês têm de lhes dar melhor alojamento»
Sétimo: «vocês têm…»

O Verbo nunca é conjugado na primeira pessoa, singular ou plural, nunca!
Ficam as lições e os ecos da boa vontade.
“Leonor vou contacta-la para enviar qualquer coisa… Leonor vou reunir esforços para conseguir…Leonor vamos minimizar a fome destas crianças… Leonor…”

Nada chega ou chegará! Ricos ou ricos – “os esclarecidos” – despedem-se da ilha com promessas… que se esvaem em nadas cheios de nadas.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Num olhar para o que fica…





Para trás ficam fragmentos de sorriso, gentes e momentos. Para trás ficam histórinhas de um quotidiano anormal para o comum dos errantes. Ficam desejos dourados e concretizações poucas. Ficam copos que se erguem em celebração da felicidade fugaz e fica o sangue das vinhas que estimula os corpos.
Ficam beijos dados e roubados na penumbra. Fica a exaltação do belo.
Fica a mesa incompleta e a família adoptiva.

Mas para trás não ficam as recordações de tantos grãos de areia que fizeram areais nem de ventos que fizeram tempestades.
Enquanto a lembrança suportar carrego-vos comigo.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Recortes de momentos.
Momentos de todos nós que aqui estamos, uns por escassas voltas do ponteiro, outras para o "sempre" que dura pouco.
Partilhamos todos o mesmo pedaço de chão mas nem todos com o mesmo regozijo.


momentos

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Sorrisos de sábado à tarde em Chizavane ...entre a catanada na rocha para o molusco se soltar e a pausa para encher o saco há sempre uns minutos para pousar para a objectiva indiscreta.




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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Tic-tac, tic-tac, passam horas minutos e segundos. Tic-tac, tic-tac enquanto a farinha engana estômagos. Tic-tac, tic-tac e caem como pássaros mortos pelo capitalismo. Tic-tac, tic-tac e andam brancos pelas ruas como se da Europa se tratasse.
Tic-tac, tic-tac, passam segundos, minutos e horas. Tic-tac, tic-tac e há sida e malária, e há cólera e tuberculose. Tic-tac, tic-tac, e há carros e comida e, há escravos a quem se chamam empregados.

Obrigada amigos pelos relógios que me fazem contar o tempo de outra forma.

E porque estes rabiscos, acompanhados de más fotografias para ilustrar, só existem quando piso chão vermelho…..cá estou eu a errar e inventar para passar o tempo.
Voltei a Maputo com lágrimas e sorrisos.